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Escrita com Norte | Anténio Costa
Anténio Costa, nascido António há 50 anos, teria sido Rosa Costa, caso tivesse nascido menina.
Filho do Sr. Costa, um verdadeiro pinga-amor do seu tempo, que ainda hoje relembra, “Nos bailaricos dançava com elas todas…”, não herdou do seu progenitor o jeito para a dança.
Quando se aproxima um casamento ou uma outra qualquer festividade, em que seja expectável Anténio dançar, treina uns passos com a mãe e depois evolui para o treino com a vassoura.
Numa dessas festas, no caso um casamento, a quem lhe foi prometida uma dança, os treinos em casa começaram nesse mesmo dia, sempre supervisionados pelo pai.
A mãe sempre se esforçava para lhe ensinar convenientemente os melhores passos para o filho arranjar moça, da mesma forma que foi seduzida por um “Paso doble” do Sr. Costa há umas décadas num arraial de Verão. Mas uma observação de Anténio no treino de dança ia provocando o divórcio dos pais:
– Ó pai! A mãe dança melhor do que você.
– O que é que disseste, rapaz?! – pergunta o Sr. Costa, resmungão.
– O que tu ouviste! – Diz a mãe em defesa do seu menino.
O treino de dança terminou ali.
Anténio senta-se e assiste à discussão dos pais, com um sorriso, sem saber porquê!
“Ainda vou acabar em casa sozinho”, pensou, quando pouco antes a mãe pensava, “É desta que ele vai arranjar moça”.
Lembro-me de ouvir, “Fizemos uma casa tão grande a pensar nos filhos e depois nos netos…”, mas esta preocupação dos pais era o que menos preocupava o filho.
No passado, Anténio, na altura ainda António, embeiçado por uma rapariga entra para o coro da sua freguesia onde ela era soprano. Depois de lhe berrar uma área e pensar que tinha estragado tudo, contra o que fazia prever ela convida-o para lancharem no dia seguinte à tarde!
– Amanhã, não posso! – diz, depois de olhar para a agenda do telemóvel, prosseguindo – Vou jogar volei para a praia com os meus amigos.
– Eu posso ir? – diz a sua paixão em si bemol
– E sabes jogar? – pergunta António em ré maior.
– Não. – responde a pretendida com um acompanhamento de ferrinhos.
Ele, ainda António, nunca mais pôs os pés no coro…não se pode amar alguém que não joga o mesmo jogo.
Chega o dia do casamento e Anténio, que ficou assim conhecido quando ao fazer uma assinatura electrónica num curso on-line de alemão o sistema trocou o “ó” por “é”, na hora de abertura da pista está sentado a contemplar algo que não está ali.
– Vamos dançar?…Vamos dançar?…Vamos dançar?
Anténio “desperta” e à sua frente está a rapariga que lhe prometeu uma dança.
– Sabes andar de bicicleta? – pergunta.
Anténio, ainda no tempo em que era António, com o coração dorido, deixou o volei e dedicou-se ao BTT, achando mais fácil encontrar raparigas que gostassem e soubessem andar.
– Não, Anténio, não sei andar de bicicleta. – responde a rapariga, prosseguindo – Só gosto e jogo volei, principalmente de praia. E então! Vamos dançar?
Ao ouvi-la, Anténio quase que cai da cadeira e responde-lhe.
– Não posso, dói-me o coração!
– O quê? – contra-pergunta a rapariga.
– Torci o tornozelo, não posso dançar.
Ainda hoje não percebo se os “desencontros” de Anténio são acasos da vida ou provocados por ele, mantendo a sua vida pouco mais complicada do que a de um ser unicelular, orientada por duas ou três regras, uma delas, insinuar em casa o que quer comer no dia seguinte, com a certeza de que a sua vontade será satisfeita por uma mãe dedicada! Artigo para ler em www.onoticiasdatrofa.pt
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